Venho de um tempo onde as pessoas assumiam suas ideias. Onde as pessoas se ligavam ou não a determinados partidos ou movimentos políticos por causa de seus programas e de suas reivindicações e concepções para a sociedade, para o mundo.
Me tornei socialista através do conhecimento dos escritos e das ideias e Karl Marx. Mas nunca tive grandes afinidades com ditaduras... Por breves tempos cheguei a simpatizar com um tal PMDB, mas isso foi pelos idos de 1982, eu era apenas uma criança e naqueles tempos esse partido da burguesia me parecia o mocinho contra os bandidos da elite...
Depois disso veio a adolescência. Na política flertava com o PDT e o brizolismo. Rapidamente me livrei desse partido de caudilhos e de latifundiários ao me reconhecer socialista, "marxista cristão" e definitivamente me tornar "petista". Nessa época a minha concepção de militância política era ainda um tanto burguesa e ingênua. Pensava que a luta política se resumia em votar no partido e defender seus governos...
Hoje ao muito refletir, me decepcionar e sonhar me reconheço como trotskista. Mas por isso mesmo vejo que nesses dias de confusão, onde o PT se desconstituiu como partido operário e onde cargos e posições dentro do governo são considerados muito mais importantes que as políticas desempenhadas, ainda luto pela construção do Partido dos Trabalhadores, independente da burguesia e percebo que é evidente que atender às demandas dos trabalhadores, da juventude de uma sociedade mais justa, mais livre onde o homem seja realmente capaz de se tornar feliz não é possível no capitalismo.
Por isso em tempos onde PP e PC do B flertam em alianças para alcançar o poder, onde o PT já governa junto ao partido dos remanescentes da Ditadura Civil-Militar brasileira e dos latifundiários defensores do Agronegócio ( Agribusiness pra ficar mais chique) e onde P-Sol e PSTU representam a ala esquerda da governança mundial, da aceitação aos ditames do imperialismo com sua política característica dos grupos do centrismo reacionário, votar no PT pelas reivindicações de classe é um ato, quem diria, revolucionário.
No futebol e na cultura vivemos tempos estranhos também. O Grêmio que sempre foi o time que "joga com o regulamento debaixo do braço", que não tem vergonha de jogar "feio" no país do "futebol arte" hoje é um time fraco, meigo, passivo... Na música as pessoas se congregavam, se agrupavam de acordo com suas preferências estéticas, pela atitude. Onde havia punks, onde quem ouvia música de qualidade não se envergonhava disso, onde qualidade musical se discutia e não se fugia da discussão com clichês, gosto não se discute, e onde se falava de cinema e literatura atacando os maus filmes, blockbusters que monopolizavam cinemas e livros ruins...
Tempos realmente estranhos esses, não gostar da música da novela, apontar sua má qualidade e dizer que a bela menina pode ser até uma atriz razoável mas nunca será cantora é ser taxado de chato e elitista...
Talvez eu seja isso mesmo, chato e elitista, sei lá... mas não abdico do sonho e da luta por um mundo melhor, onde homens e mulheres rompam os grilhões de toda a opressão de classe e onde a liberdade seja real, e não propriedade de alguns poucos...
Tempos estranhos esses...