Mesmo que uma semana atrasado, tenho que colocar algumas palavras sobre o magistral, o esplêndido show de Roger Waters em Porto Alegre no dia 25 de março, apresentando pela primeira vez no Brasil o The Wall. Foi a realização de um sonho deste que vos fala, assistir a The Wall, obra que fe parte de meus sonhos durante toda a adolescência e juventude...
Pois bem, mesmo levando em consideração a (falta de) organização do show, deixando a desejar ao fazer o público se meter numa fila única para todos os setores do show, que adentrou o Parque Marinha do Brasil (que margeia o estádio Beira Rio) e se perdeu pela escuridão do parque e das árvores e quando, ao chegar próximo dos portões de entrada do estacionamento do estádio, vir avisar que "cadeiras descobertas não precisava pegar essa fila..." (e isso depois de uma hora na fila!), e o lugar das cadeiras, com uma visão um pouco prejudicada do palco, e alguns espectadores que nem sabiam direito o que estavam fazendo no show...
Então, mesmo levando em consideração tudo o que foi descrito acima, o show valeu cada centavo investido na compra dos ingressos! Roger está em plena forma, a banda certeira nas músicas, as projeções no muro eram milimetricamente colocadas para manter uma sincronia com a execução das músicas pela banda. Em Mother, por exemplo, uma imagem de Roger Waters captada em um show no ano de 1980 é projetada ao mesmo tempo em que se executa ao vivo a canção, e parece que o jovem Roger está presente entre nós, ao vivo!!!!
Além de tudo isso, da sofisticação e excelência do show, das projeções em altíssima definição no muro - tela e do som quadrifônico de alta qualidade, temos um exemplo de como a tecnologia e a pirotecnia devem estar a serviço da música e das mensagens, ideias e conceitos que as canções (e The Wall transborda ideias, conteúdos, conceitos...) contém. Logo no início somos saudados, ao som de In The Flesh com uma projeção da palavra "Capitalism" grafada com as letras da Coca-cola no Muro. Em outro momento, ao som de Godbye Blue Sky aviões despejam cruzes, foices e martelos além de símbolos das grandes empresas capitalistas (Shell e suas conchas, Mercedes, etc) como para nos lembrar de a quem servem as guerras imperialistas... Ah, e o sempre presente Porco Voador, impregnado de mensagens políticas (uma delas, na barriga, protestando contra o preço das passagens de ônibus em Porto Alegre).
Mas o momento mais emocionante do show, na minha opinião, foi um dos menos lembrados pela imprensa do RS. Waters, num português com pronúncia bem clara, dedica o show a Jean Charles Menezes, o brasileiro morto no metrô de Londres porque acharam que ele era "Terrorista", a família dele (que esteve presente no show) e a todos os que lutam por Verdade e Justiça! Além de todos os mortos pelo Terrorismo de Estado no mundo! Roger diz: "lembraremos de vocês".

