sábado, 31 de março de 2012

The Wall em Porto Alegre

Mesmo que uma semana atrasado, tenho que colocar algumas palavras sobre o magistral, o esplêndido show de Roger Waters em Porto Alegre no dia 25 de março, apresentando pela primeira vez no Brasil o The Wall. Foi a realização de um sonho deste que vos fala, assistir a The Wall, obra que fe parte de meus sonhos durante toda a adolescência e juventude...



Pois bem, mesmo levando em consideração a (falta de) organização do show, deixando a desejar ao fazer o público se meter numa fila única para todos os setores do show, que adentrou o Parque Marinha do Brasil (que margeia o estádio Beira Rio) e se perdeu pela escuridão do parque e das árvores e quando, ao chegar próximo dos portões de entrada do estacionamento do estádio, vir avisar que "cadeiras descobertas não precisava pegar essa fila..." (e isso depois de uma hora na fila!), e o lugar das cadeiras, com uma visão um pouco prejudicada do palco, e alguns espectadores que nem sabiam direito o que estavam fazendo no show...

Então, mesmo levando em consideração tudo o que foi descrito acima, o show valeu cada centavo investido na compra dos ingressos! Roger está em plena forma, a banda certeira nas músicas, as projeções no muro eram milimetricamente colocadas para manter uma sincronia com a execução das músicas pela banda. Em Mother, por exemplo, uma imagem de Roger Waters captada em um show no ano de 1980 é projetada ao mesmo tempo em que se executa ao vivo a canção, e parece que o jovem Roger está presente entre nós, ao vivo!!!!

Além de tudo isso, da sofisticação e excelência do show, das projeções em altíssima definição no muro - tela e do som quadrifônico de alta qualidade, temos um exemplo de como a tecnologia e a pirotecnia devem estar a serviço da música e das mensagens, ideias e conceitos que as canções (e The Wall transborda ideias, conteúdos, conceitos...) contém. Logo no início somos saudados, ao som de In The Flesh com uma projeção da palavra "Capitalism" grafada com as letras da Coca-cola no Muro. Em outro momento, ao som de Godbye Blue Sky aviões despejam cruzes, foices e martelos além de símbolos das grandes empresas capitalistas (Shell e suas conchas, Mercedes, etc) como para nos lembrar de a quem servem as guerras imperialistas... Ah, e o sempre presente Porco Voador, impregnado de mensagens políticas (uma delas, na barriga, protestando contra o preço das passagens de ônibus em Porto Alegre).




Mas o momento mais emocionante do show, na minha opinião, foi um dos menos lembrados pela imprensa do RS. Waters, num português com pronúncia bem clara, dedica o show a Jean Charles Menezes, o brasileiro morto no metrô de Londres porque acharam que ele era "Terrorista", a família dele (que esteve presente no show) e a todos os que lutam por Verdade e Justiça! Além de todos os mortos pelo Terrorismo de Estado no mundo! Roger diz: "lembraremos de vocês". 

segunda-feira, 19 de março de 2012

As palavras e as coisas...

Outro dia eu estava refletindo sobre o significado que as pessoas dão às palavras, e a forma como esse significado é apropriado à manutenção do status quo. Muitas vezes em reportagens de jornais, revistas, TV, etc; as palavras são ligadas a significados que atendem à determinadas demandas...

Por exemplo, o termo MATERIALISMO. Me lembro que quando tinha 11 anos, tava na quinta série e aprendia sobre um tal de Materialismo Histórico, ou Marxismo. Ora, sempre que alguém dizia: "o fulano é um baita dum materialista!" já se fazia a significação: "fulano é um sujeito mesquinho", ou seja, materialismo seria uma postura de vida que não atentaria para os aspectos mais importantes da vida, das relações na sociedade...

Mafalda - Quino


Dessa forma a ligação com o antimarxismo seria um desfecho lógico para muitas pessoas. Assim, se Marx era "materialista" certamente bom sujeito ele não seria...

Ora, MATERIALISMO no caso não tem nada a ver com mesquinharia, trata-se de uma abordagem filosófica e científica da vida e das relações sociais que se preocupa com a possibilidade de as ideias, as aspirações de mudança no mundo tenham uma concretização, e aí se estabelece a práxis, as iniciativas e as lutas políticas para mudar o mundo (revolução...).

Por outro lado, sempre que trabalhadores, camponeses, mulheres, estudantes e professores se manifestam e lutam por seus direitos os defensores da ordem bradam: CORPORATIVISMO!!! Ora, se nos debruçarmos no estudo histórico perceberemos que o termo corporativismo foi desenvolvido pela República Corporativa na Itália de Mussolini, onde o que não havia era a liberdade dos diferentes sujeitos lutarem com autonomia de classe. Ou seja, corporativismo nada mais é do que um instrumento do Estado fascista para impedir as lutas da juventude e dos trabalhadores.

Dessa forma, sempre que ouvimos um discurso é necessário entender e saber quem está pronunciando esse discurso para não cairmos em armadilhas, o que é sempre um perigo...


Quino

domingo, 4 de março de 2012

Villa Lobos

Peça coral do grande compositor brasileiro, Heitor Villa Lobos. Ele que teria dito: "com música e criança eu viro esse país do avesso..."

Evocação em defesa da Pátria, cantada pelos coros da Federação Nacional de Meninos Cantores em Sete Lagoas, Minas Gerais no ano de 1995 (eu era um desses 800 cantores...)


E outro exemplo da música coral de Villa Lobos, Estrela é Lua Nova, dessa vez nas vozes do Coro da OSESP