segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Tolstoi - Anna Karênina



Esse foi o livro de 2011 pra mim. Fazia tempo eu adiava a leitura desse clássico, sempre tendo outros compromissos, a vida corrida da modernidade ("pós-modernidade"???) sempre nos força a dar prioridade a outras coisas, os livros acabam sendo deixados de lado. É interessante como algumas pessoas te tiram pra louco ou esnobe se tu diz que não quer sair, ir ao cinema ou ver TV pra ler um livro...

Tólstoi foi uma descoberta meio tardia então, mas realmente um clássico é um clássico, não é à toa que ele, Tolstói é e sempre será lido e relido por várias gerações. E a forma magistral como ele retrata seus personagens colocando eles dentro de um contexto maior (nenhum personagem é raso, mesmo os que aparecem de passagem pela trama) nos faz mergulhar na sociedade russa do século XIX e entender porque a Rússia foi o palco do surgimento de pessoas como Lênin, Trótski, Maiakovski, e outros (até mesmo o ditador Stálin).

O livro fala então da sociedade russa aristocrática (em São Petersburgo), a burocracia, os camponeses, a situação da mulher ... Mas foi com o personagem Liêvin (eu entendi como uma espécie de alter ego do próprio Tolstói) que eu mais me identifiquei, inclusive entendo o livro mais como protagonizado por Liêvin do que pela própria Anna, que dá nome ao livro. "Toda família feliz é parecida. As infelizes o são cada qual à sua maneira." Esse é realmente um dos inícios de livro mais festejados e admirados de todos os tempos. E tem toda a razão de ser. Mas é nas atitudes e reflexões do mujique Liêvin que a história ganha contornos de um realismo e de uma crítica à situação do camponês (e do povo) russo.


" Desde que vira morrer o seu querido irmão, Liêvin dera-se a examinar pela primeira vez os problemas da vida e da morte através de ideias a que ele chamava novas. Estas tinham substituído, entre os vinte e os trinta e quatro anos as suas convicções da infância e da adolescência. Liêvin sentira horror menos da morte que da vida, por não poder compreender de onde vinha, que era, para que existia ou o que representava. O organismo, a sua destruição, a indestrutibilidade da matéria,a lei da conservação da energia e a evolução , eis os termos que haviam substituído a sua antiga fé. Esses termos e os conceitos que lhe andavam ligados serviam para fins de ordem intelectual, mas não explicavam a vida(...)"

Isso tudo poderia ser estendido para minha vida, minhas angústias e interrogações. Eis o poder da arte e da literatura. Eis o poder de um livro de Tolstói, que já tinha dito, cantas tua aldeia e serás universal...

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