quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mozart- "Ave Verum Corpus" - KV 618

Completando a minha série em homenagem à "Santíssima Trindade" da música (com perdão do termo...) coloco um moteto coral, singelo e de uma beleza tocante, o famoso (e parte do repertório obrigatório de todo coro que se preza) Ave Verum Corpus do genial Wolfgang "Amadeus" Mozart.

Essa peça foi composta em 1791, ou seja, no final da vida do compositor vienense e por isso mesmo se constitui em uma peça que apresenta uma maturidade e uma genialidade nas suas harmonias, apresentando encadeamentos melódicos e harmônicos que prenunciam certas nuances e soluções musicais que seriam retomadas e utilizadas no início do século XX, ou seja, com toda a certeza e sem medo do clichê devemos afirmar que Mozart estava na vanguarda, era um homem bem a frente de seu tempo...

Essa peça eu aprendi quando ainda era integrante do coro dos Meninos Cantores. A letra é uma prece relembrando e cultuando o sacrifício do Cristo na Cruz, a redenção e salvação da humanidade. Mas a significância da música perpassa e vai além das questões meramente de culto religioso. E a mensagem que ela me passa é a do sacrifício que todos fazemos quando queremos lutar por ideais generosos de solidariedade e humanismo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Beethoven - Nona sinfonia em Ré menor - op 125

Ontem postei aqui uma homenagem à Bach e a toda humanidade com a Cantata 147 - Jesu Bleibet Meine Freude ("Jesus Alegria dos Homens"). Hoje me rendo ao outro compositor que faz parte da "Santíssima Trindade" (Bach-Mozart-Beethoven) que é o velho Ludwig...

Conta-se que Beethoven pai queria que o filho se tornasse um menino prodígio a exemplo de Mozart. Mas o talento de Beethoven foi mais tardio do que o do jovem austríaco.Amadeus faleceria em 1791, aos 35 anos e quando o jovem Ludwig tinha 21 anos. Beethoven certamente foi um compositor que amadureceu de forma mais demorada se comparada com Mozart. E Bach também foi um homem de numerosa produção musical (e também de sua prole de filhos), seu catálogo BWV apresenta mais de 1000 obras.

Dessa forma Bach, no Barroco, Mozart no Classicismo  e Beethoven na transição Clássico para o Romantismo são uma linha de dinâmica da história musical que todos os apreciadores de música devem ter conhecimento e admiração, e claro, meu leitor erudito e conhecedor da música de concerto deve estar pensando : "quanta obviedade, esse aí descobriu a pólvora...". Mas às vezes coisas óbvias e evidentes devem ser ditas...

Deixo aqui fragmentos a Nona Sinfonia, prá iniciar um fragmento do primeiro movimento - Allegro ma non troppo
E o famoso quarto movimento: (Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto - SP. Regência Maestro Cláudio Cruz)
Alle menschen werden Brüder... (todos homens sejam Irmãos...)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Cantata 147- BWV 147/10 - Johan Sebastian Bach - Jesu Bleibet Meine Freude

Famosa com o apelido de "Jesus Alegria dos Homens", por causa da letra, essa é a parte coral, que finaliza a cantata de Bach, ou seja, é o arremate de uma peça daquele que é o maior compositor da história desde o Barroco. Tem dias que eu quero ouvir um Mozart, outros tantos prefiro Beethoven...

Mas hoje eu acordei um tanto Barroco, e após o Natal sempre é bom ouvir e refletir sobre essa espiritualidade que é inerente aos homens de todas as culturas, os ateus que me lêem que me entendam. Tenho aliás grandes amigos ateus (entre os melhores amigos que fiz na minha vida, muitos são ateus militantes) e eu mesmo passei e passo por vários momentos de dúvidas, já fui católico fervoroso durante toda a minha infância e adolescência, já  fui  um pouco "agnóstico" por um certo período da juventude( se é que isso possa ser possível ), hoje tenho minha fé, mesmo tendo críticas ao Papa, ao Vaticano em certos aspectos...

Não quero com isso dizer que o ateísmo se constitui em um desentendimento, ou uma dúvida ou crise existencial. Sei que a coisa é mais complexa que isso e o ateísmo é uma postura legítima, tanto como professar a fé em Deus. E defendo que ter ou não ter fé é uma questão de foro íntimo das pessoas e que o Estado deve ser laico, para assegurar os direitos de teístas, deístas, céticos, agnósticos, ateus, cristãos, muçulmanos, judeus, espíritas, umbandistas, etc...

Para refletir sobre essas questões hoje, coloco então uma versão do bom e velho Bach, como já dizia hoje ando meio Barroco e o compositor alemão representa melhor do que ninguém essa época da história da música...


sábado, 24 de dezembro de 2011

Navidad 2000

Bela mensagem para o Natal, com a interpretação da grande Mercedes Sosa e do conjunto Los Arroyeños, uma das canções de Natal que eu mais gosto, e que fala do mundo que está velho, mas o Menino Jesus não...


" Dos mil años hace que há nacido Diós
el mundo está viejo pero el niño no..."

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Dilma e os Militares (ou seriam torturadores?)


  • Por que eles escondem seus rostos?
  • O que eles querem esconder?
  • Quem foram os verdadeiros criminosos?
  • Por que eles tem medo da verdade?

Tolstoi - Anna Karênina



Esse foi o livro de 2011 pra mim. Fazia tempo eu adiava a leitura desse clássico, sempre tendo outros compromissos, a vida corrida da modernidade ("pós-modernidade"???) sempre nos força a dar prioridade a outras coisas, os livros acabam sendo deixados de lado. É interessante como algumas pessoas te tiram pra louco ou esnobe se tu diz que não quer sair, ir ao cinema ou ver TV pra ler um livro...

Tólstoi foi uma descoberta meio tardia então, mas realmente um clássico é um clássico, não é à toa que ele, Tolstói é e sempre será lido e relido por várias gerações. E a forma magistral como ele retrata seus personagens colocando eles dentro de um contexto maior (nenhum personagem é raso, mesmo os que aparecem de passagem pela trama) nos faz mergulhar na sociedade russa do século XIX e entender porque a Rússia foi o palco do surgimento de pessoas como Lênin, Trótski, Maiakovski, e outros (até mesmo o ditador Stálin).

O livro fala então da sociedade russa aristocrática (em São Petersburgo), a burocracia, os camponeses, a situação da mulher ... Mas foi com o personagem Liêvin (eu entendi como uma espécie de alter ego do próprio Tolstói) que eu mais me identifiquei, inclusive entendo o livro mais como protagonizado por Liêvin do que pela própria Anna, que dá nome ao livro. "Toda família feliz é parecida. As infelizes o são cada qual à sua maneira." Esse é realmente um dos inícios de livro mais festejados e admirados de todos os tempos. E tem toda a razão de ser. Mas é nas atitudes e reflexões do mujique Liêvin que a história ganha contornos de um realismo e de uma crítica à situação do camponês (e do povo) russo.


" Desde que vira morrer o seu querido irmão, Liêvin dera-se a examinar pela primeira vez os problemas da vida e da morte através de ideias a que ele chamava novas. Estas tinham substituído, entre os vinte e os trinta e quatro anos as suas convicções da infância e da adolescência. Liêvin sentira horror menos da morte que da vida, por não poder compreender de onde vinha, que era, para que existia ou o que representava. O organismo, a sua destruição, a indestrutibilidade da matéria,a lei da conservação da energia e a evolução , eis os termos que haviam substituído a sua antiga fé. Esses termos e os conceitos que lhe andavam ligados serviam para fins de ordem intelectual, mas não explicavam a vida(...)"

Isso tudo poderia ser estendido para minha vida, minhas angústias e interrogações. Eis o poder da arte e da literatura. Eis o poder de um livro de Tolstói, que já tinha dito, cantas tua aldeia e serás universal...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

As Pedras

Essa pegadinha circula muito pelas redes sociais e geralmente é pronunciada pelos ateus ou céticos para argumentar sobre a impossibilidade da onipotência, e com isso a impossibilidade de existência de um ser onipotente, ou seja, Deus. Por um bom tempo essa questão me atormentou, pensava eu: estará aí a prova filosófica e lógica da inexistência e mais ainda da impossibilidade de existir Deus?

Interessante que toda uma longa jornada da humanidade, suas várias culturas, ciências, saberes, pensamentos, religiosidades, tudo isso poderia ser destruído por um aforisma até singelo como esse. Como sou uma pessoa bastante curiosa, fui atrás de respostas...

São Tomás de Aquino - São Domingos, Londres



Segundo Tomás de Aquino, onipotência seria executar todas as coisas possíveis, excluindo se daí o ato de fazer coisas impossíveis. Assim a tal história da pedra seria baseada num silogismo, ou seja, duas premissas (verdadeiras) não teriam relação com a conclusão. Dessa forma:

Premissa A : "Deus tem poderes infinitos"
Premissa B : "Deus não pode criar uma pedra que ele não pode mover"
Conclusão: "Deus não é onipotente"

O problema nessa conclusão é admitir que possam coexistir uma força irresistível (Deus onipotente) e um objeto inamovível. Seria como dizer que deveria existir um círculo que ao mesmo tempo é triângulo. São Tomás de Aquino coloca a questão da seguinte forma: "quando se diz Deus tudo pode, o mais correto é dizer que pode tudo o que é possível e por isso se diz onipotente" (Suma Teológica I, 25, 3).

Ou seja, Deus não pode ser ilógico, assim a onipotência de Deus não significaria que Ele possa fazer coisas ilógicas porque a Lógica e a Racionalidade seriam inerentes a Deus. O impossível é contraditório e Deus não é contraditório. E isso não diminui o poder da onipotência, ao contrário, aumenta, porque uma onipotência contraditória se anula e uma onipotência lógica se torna absoluta.