"Expor aos oprimidos a verdade sobre a sua situação é abri-los o caminho da Revolução" (Trotsky)
A verdade é uma palavra que sucita muitas e acaloradas discussões e debates. Muitos afirmam não haver verdade, mas "verdades". Outros afirmam que "jamais seremos capazes de conhecer a verdade". Muitos colocam a "verdade" como relativa. Alguns acusam o marxismo de ser "relativista". Nada mais falso...
A verdade, o mundo concreto e suas leis existem e sim estão acessíveis ao Homem, ao intelecto e raciocínio humano que tem condições de desvendar as leis naturais e sociais do mundo e assim agir sobre essas leis e sobre o mundo. Essa concepção não é nada "relativista", é essencialmente marxista e também está presente na raiz do pensamento cristão. Por isso acho tão irônico presenciar alguns pretensos defensores raivosos ( ou então exaltados ) da doutrina católica atacando o marxismo por supostamente ser "relativista" e por negar a existência da verdade.
Ignoram esses católicos conservadores que o marxismo é necessariamente calcado na investigação e desvendamento de leis universais que regem a sociedade e a economia e que o mesmo propõe a ação do Homem no sentido de se utilizar da consciência adquirida sobre essas leis e sobre sua situação (consciência de classe) para que atue na realidade alterando ela (revolução). Por isso o marxismo pode ser tudo menos "relativista".
Por outro lado, existe muito preconceito de alguns marxistas contra quem apresenta alguma crença religiosa. Nem toda religião é necessariamente alienação. A própria citação marxiana sobre religião nem sempre é vista em sua totalidade. Diz Marx, na Crítica da filosofia do direito de Hegel(1844) :
"A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo."
Veja que Marx contextualiza a "religião" em um determinado contexto, e como produto desse contexto ("o ânimo de um mundo sem coração") e que deverá desaparecer quando o contexto mudar. Diria eu, a religião do modo como a conhecemos talvez sim, mas a espiritualidade do homem provavelmente não.
Dessa forma, a espiritualidade, para não ser alienante deve estar inserida em outra realidade social. Cabe ao Homem lutar para mudar a sociedade e acabar com a opressão e a exploração (essas sim certamente contrárias ao plano de Deus) e assim construir um mundo mais humano, igualitário e assim mais próximo da terra prometida, do paraíso terrestre (mesmo que esse não exista). Já dizia Cristo que a verdade nos liberta, Trotsky (seguindo essa idéia por caminhos tortuosos) coloca que a verdade é sempre revolucionária (e assim libertária). Dessa forma, nada mais justo que a luta contra a opressão coloque como irmãos (camaradas) cristãos e não cristãos, ateus e agnósticos, todos juntos em nome de interesses comuns à humanidade, a verdade e a liberdade.
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