Outro dia uma amiga falava do quanto o livro O Estrangeiro, de Albert Camus havia lhe causado impacto. Pensei, a mim também. Mas eu tive ao ler na verdade um grande incômodo, aquela história do sujeito que de repente mata um árabe na Argélia me pareceu sempre tão elitista e etnocêntrica. Qual o sentido daquilo?
Claro, dirão, é a defesa da tese do absurdo, tão cara a Camus. A vida é absurda porque termina na morte, e não importa se daqui a algumas horas, meses ou anos, é sempre eu ou voce que iremos morrer. Isso incomoda e tal qual a famosa espada de Dâmocles, nos faz ou perder o interesse (ou o gosto) pelas coisas da vida ou nos faz viver de forma cínica, ou rejeitar a nossa finitude...
(Westall- A espada de Dâmocles - 1812 )
No livro de Camus, o protagonista Meursault inicia assim: "Hoje mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei. Recebi um telegrama do asilo: 'Mãe morta. Enterro amanhã. Sinceros sentimentos.' Isso não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem." Muitos se impressionam com a frieza dele, que não chorou a morte de sua mãe...
Então hoje, ouvindo Bohemian Rhapsody do Queen pude entender melhor Meursault. "eu não queria morrer agora, às vezes acho que não deveria nem ter nascido..."
"Nothing really matters...to me..."
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