quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Mozart- "Ave Verum Corpus" - KV 618

Completando a minha série em homenagem à "Santíssima Trindade" da música (com perdão do termo...) coloco um moteto coral, singelo e de uma beleza tocante, o famoso (e parte do repertório obrigatório de todo coro que se preza) Ave Verum Corpus do genial Wolfgang "Amadeus" Mozart.

Essa peça foi composta em 1791, ou seja, no final da vida do compositor vienense e por isso mesmo se constitui em uma peça que apresenta uma maturidade e uma genialidade nas suas harmonias, apresentando encadeamentos melódicos e harmônicos que prenunciam certas nuances e soluções musicais que seriam retomadas e utilizadas no início do século XX, ou seja, com toda a certeza e sem medo do clichê devemos afirmar que Mozart estava na vanguarda, era um homem bem a frente de seu tempo...

Essa peça eu aprendi quando ainda era integrante do coro dos Meninos Cantores. A letra é uma prece relembrando e cultuando o sacrifício do Cristo na Cruz, a redenção e salvação da humanidade. Mas a significância da música perpassa e vai além das questões meramente de culto religioso. E a mensagem que ela me passa é a do sacrifício que todos fazemos quando queremos lutar por ideais generosos de solidariedade e humanismo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Beethoven - Nona sinfonia em Ré menor - op 125

Ontem postei aqui uma homenagem à Bach e a toda humanidade com a Cantata 147 - Jesu Bleibet Meine Freude ("Jesus Alegria dos Homens"). Hoje me rendo ao outro compositor que faz parte da "Santíssima Trindade" (Bach-Mozart-Beethoven) que é o velho Ludwig...

Conta-se que Beethoven pai queria que o filho se tornasse um menino prodígio a exemplo de Mozart. Mas o talento de Beethoven foi mais tardio do que o do jovem austríaco.Amadeus faleceria em 1791, aos 35 anos e quando o jovem Ludwig tinha 21 anos. Beethoven certamente foi um compositor que amadureceu de forma mais demorada se comparada com Mozart. E Bach também foi um homem de numerosa produção musical (e também de sua prole de filhos), seu catálogo BWV apresenta mais de 1000 obras.

Dessa forma Bach, no Barroco, Mozart no Classicismo  e Beethoven na transição Clássico para o Romantismo são uma linha de dinâmica da história musical que todos os apreciadores de música devem ter conhecimento e admiração, e claro, meu leitor erudito e conhecedor da música de concerto deve estar pensando : "quanta obviedade, esse aí descobriu a pólvora...". Mas às vezes coisas óbvias e evidentes devem ser ditas...

Deixo aqui fragmentos a Nona Sinfonia, prá iniciar um fragmento do primeiro movimento - Allegro ma non troppo
E o famoso quarto movimento: (Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto - SP. Regência Maestro Cláudio Cruz)
Alle menschen werden Brüder... (todos homens sejam Irmãos...)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Cantata 147- BWV 147/10 - Johan Sebastian Bach - Jesu Bleibet Meine Freude

Famosa com o apelido de "Jesus Alegria dos Homens", por causa da letra, essa é a parte coral, que finaliza a cantata de Bach, ou seja, é o arremate de uma peça daquele que é o maior compositor da história desde o Barroco. Tem dias que eu quero ouvir um Mozart, outros tantos prefiro Beethoven...

Mas hoje eu acordei um tanto Barroco, e após o Natal sempre é bom ouvir e refletir sobre essa espiritualidade que é inerente aos homens de todas as culturas, os ateus que me lêem que me entendam. Tenho aliás grandes amigos ateus (entre os melhores amigos que fiz na minha vida, muitos são ateus militantes) e eu mesmo passei e passo por vários momentos de dúvidas, já fui católico fervoroso durante toda a minha infância e adolescência, já  fui  um pouco "agnóstico" por um certo período da juventude( se é que isso possa ser possível ), hoje tenho minha fé, mesmo tendo críticas ao Papa, ao Vaticano em certos aspectos...

Não quero com isso dizer que o ateísmo se constitui em um desentendimento, ou uma dúvida ou crise existencial. Sei que a coisa é mais complexa que isso e o ateísmo é uma postura legítima, tanto como professar a fé em Deus. E defendo que ter ou não ter fé é uma questão de foro íntimo das pessoas e que o Estado deve ser laico, para assegurar os direitos de teístas, deístas, céticos, agnósticos, ateus, cristãos, muçulmanos, judeus, espíritas, umbandistas, etc...

Para refletir sobre essas questões hoje, coloco então uma versão do bom e velho Bach, como já dizia hoje ando meio Barroco e o compositor alemão representa melhor do que ninguém essa época da história da música...


sábado, 24 de dezembro de 2011

Navidad 2000

Bela mensagem para o Natal, com a interpretação da grande Mercedes Sosa e do conjunto Los Arroyeños, uma das canções de Natal que eu mais gosto, e que fala do mundo que está velho, mas o Menino Jesus não...


" Dos mil años hace que há nacido Diós
el mundo está viejo pero el niño no..."

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Dilma e os Militares (ou seriam torturadores?)


  • Por que eles escondem seus rostos?
  • O que eles querem esconder?
  • Quem foram os verdadeiros criminosos?
  • Por que eles tem medo da verdade?

Tolstoi - Anna Karênina



Esse foi o livro de 2011 pra mim. Fazia tempo eu adiava a leitura desse clássico, sempre tendo outros compromissos, a vida corrida da modernidade ("pós-modernidade"???) sempre nos força a dar prioridade a outras coisas, os livros acabam sendo deixados de lado. É interessante como algumas pessoas te tiram pra louco ou esnobe se tu diz que não quer sair, ir ao cinema ou ver TV pra ler um livro...

Tólstoi foi uma descoberta meio tardia então, mas realmente um clássico é um clássico, não é à toa que ele, Tolstói é e sempre será lido e relido por várias gerações. E a forma magistral como ele retrata seus personagens colocando eles dentro de um contexto maior (nenhum personagem é raso, mesmo os que aparecem de passagem pela trama) nos faz mergulhar na sociedade russa do século XIX e entender porque a Rússia foi o palco do surgimento de pessoas como Lênin, Trótski, Maiakovski, e outros (até mesmo o ditador Stálin).

O livro fala então da sociedade russa aristocrática (em São Petersburgo), a burocracia, os camponeses, a situação da mulher ... Mas foi com o personagem Liêvin (eu entendi como uma espécie de alter ego do próprio Tolstói) que eu mais me identifiquei, inclusive entendo o livro mais como protagonizado por Liêvin do que pela própria Anna, que dá nome ao livro. "Toda família feliz é parecida. As infelizes o são cada qual à sua maneira." Esse é realmente um dos inícios de livro mais festejados e admirados de todos os tempos. E tem toda a razão de ser. Mas é nas atitudes e reflexões do mujique Liêvin que a história ganha contornos de um realismo e de uma crítica à situação do camponês (e do povo) russo.


" Desde que vira morrer o seu querido irmão, Liêvin dera-se a examinar pela primeira vez os problemas da vida e da morte através de ideias a que ele chamava novas. Estas tinham substituído, entre os vinte e os trinta e quatro anos as suas convicções da infância e da adolescência. Liêvin sentira horror menos da morte que da vida, por não poder compreender de onde vinha, que era, para que existia ou o que representava. O organismo, a sua destruição, a indestrutibilidade da matéria,a lei da conservação da energia e a evolução , eis os termos que haviam substituído a sua antiga fé. Esses termos e os conceitos que lhe andavam ligados serviam para fins de ordem intelectual, mas não explicavam a vida(...)"

Isso tudo poderia ser estendido para minha vida, minhas angústias e interrogações. Eis o poder da arte e da literatura. Eis o poder de um livro de Tolstói, que já tinha dito, cantas tua aldeia e serás universal...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

As Pedras

Essa pegadinha circula muito pelas redes sociais e geralmente é pronunciada pelos ateus ou céticos para argumentar sobre a impossibilidade da onipotência, e com isso a impossibilidade de existência de um ser onipotente, ou seja, Deus. Por um bom tempo essa questão me atormentou, pensava eu: estará aí a prova filosófica e lógica da inexistência e mais ainda da impossibilidade de existir Deus?

Interessante que toda uma longa jornada da humanidade, suas várias culturas, ciências, saberes, pensamentos, religiosidades, tudo isso poderia ser destruído por um aforisma até singelo como esse. Como sou uma pessoa bastante curiosa, fui atrás de respostas...

São Tomás de Aquino - São Domingos, Londres



Segundo Tomás de Aquino, onipotência seria executar todas as coisas possíveis, excluindo se daí o ato de fazer coisas impossíveis. Assim a tal história da pedra seria baseada num silogismo, ou seja, duas premissas (verdadeiras) não teriam relação com a conclusão. Dessa forma:

Premissa A : "Deus tem poderes infinitos"
Premissa B : "Deus não pode criar uma pedra que ele não pode mover"
Conclusão: "Deus não é onipotente"

O problema nessa conclusão é admitir que possam coexistir uma força irresistível (Deus onipotente) e um objeto inamovível. Seria como dizer que deveria existir um círculo que ao mesmo tempo é triângulo. São Tomás de Aquino coloca a questão da seguinte forma: "quando se diz Deus tudo pode, o mais correto é dizer que pode tudo o que é possível e por isso se diz onipotente" (Suma Teológica I, 25, 3).

Ou seja, Deus não pode ser ilógico, assim a onipotência de Deus não significaria que Ele possa fazer coisas ilógicas porque a Lógica e a Racionalidade seriam inerentes a Deus. O impossível é contraditório e Deus não é contraditório. E isso não diminui o poder da onipotência, ao contrário, aumenta, porque uma onipotência contraditória se anula e uma onipotência lógica se torna absoluta.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Quem é Jesus?


“Em verdade vos digo que, 
quando o fizestes a um destes 
meus pequeninos irmãos, a 
mim o fizestes.”
Mateus 25.40

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A repressão ao movimento estudantil

O movimento estudantil passa por uma fase de grande repressão, tendo em vista as recentes atitudes não apenas da PM na USP, mas também em universidades como a federal do Espírito Santo e a UNIR, de Rondônia onde professores em greve e estudantes ocupam a reitoria.

Jornal do Campus - Facebook
Na imagem, retirada do perfil do Jornal do Câmpus no Facebook vemos que o motivo dos protestos na USP passa longe daquilo que as empresas da mídia burguesa tentam nos fazer crer. A PM está no Campus da USP não pela segurança dos estudantes (uma Guarda Universitária bem treinada poderia fazer esse papel, além de ações da Reitoria como iluminação nas dependências do campus) mas sim para refrear as manifestações de contrariedade a um reitor que não tem legitimidade, nem entre estudantes, nem entre funcionários e professores.

Jornal do Campus - Facebook
Os estudantes em manifestação dia 10 de novembro demonstram que a questão das drogas não é o que os leva a protestar. Diferente do que a mídia burguesa apresenta, não se trata de movimentos pela liberação das drogas (em especial maconha). Esse blog é manifestamente contrário à liberação da Maconha, mas também contrário à repressão contra a juventude!


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Dívida Pública

Esse vídeo francês é muito didático e interessante, abordando o porquê das dívidas públicas e como o sistema financeiro internacional se beneficia da proibição de os bancos centrais emitirem moeda e da emissão de moeda via dívidas feitas pelos pequenos tomadores de crédito...


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Verdade

"Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8, 32)


"Expor aos oprimidos a verdade sobre a sua situação é abri-los o caminho da Revolução" (Trotsky)

A verdade é uma palavra que sucita muitas e acaloradas discussões e debates. Muitos afirmam não haver verdade, mas "verdades". Outros afirmam que "jamais seremos capazes de conhecer a verdade". Muitos colocam a "verdade" como relativa. Alguns acusam o marxismo de ser "relativista". Nada mais falso...

A verdade, o mundo concreto e suas leis existem e sim estão acessíveis ao Homem, ao intelecto e raciocínio humano que tem condições de desvendar as leis naturais e sociais do mundo e assim agir sobre essas leis e sobre o mundo. Essa concepção não é nada "relativista", é essencialmente marxista e também está presente na raiz do pensamento cristão. Por isso acho tão irônico presenciar alguns pretensos defensores raivosos ( ou então exaltados ) da doutrina católica atacando o marxismo por supostamente ser "relativista" e por negar a existência da verdade.

Ignoram esses católicos conservadores que o marxismo é necessariamente calcado na investigação e desvendamento de leis universais que regem a sociedade e a economia e que o mesmo propõe a ação do Homem no sentido de se utilizar da consciência adquirida sobre essas leis e sobre sua situação (consciência de classe) para que atue na realidade alterando ela (revolução). Por isso o marxismo pode ser tudo menos "relativista".

Por outro lado, existe muito preconceito de alguns marxistas contra quem apresenta alguma crença religiosa. Nem toda religião é necessariamente alienação. A própria citação marxiana sobre religião nem sempre é vista em sua totalidade. Diz Marx, na Crítica da filosofia do direito de Hegel(1844) : 
"A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo."
Veja que Marx contextualiza a "religião" em um determinado contexto, e como produto desse contexto ("o ânimo de um mundo sem coração") e que deverá desaparecer quando o contexto mudar. Diria eu, a religião do modo como a conhecemos talvez sim, mas a espiritualidade do homem provavelmente não. 

Dessa forma, a espiritualidade, para não ser alienante deve estar inserida em outra realidade social. Cabe ao Homem lutar para mudar a sociedade e acabar com a opressão e a exploração (essas sim certamente contrárias ao plano de Deus) e assim construir um mundo mais humano, igualitário e assim mais próximo da terra prometida, do paraíso terrestre (mesmo que esse não exista). Já dizia Cristo que a verdade nos liberta, Trotsky (seguindo essa idéia por caminhos tortuosos) coloca que a verdade é sempre revolucionária (e assim libertária). Dessa forma, nada mais justo que a luta contra a opressão coloque como irmãos (camaradas) cristãos e não cristãos, ateus e agnósticos, todos juntos em nome de interesses comuns à humanidade, a verdade e a liberdade.


   



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Marx já tinha dito!


Essa imagem me veio via FB. Realmente é profética, mas nada de novo pros conhecedores do alcance das idéias do pensador alemão. Por mais que seus detratores e os apologistas da vitória final do capitalismo tenham tentado apagar as idéias e impedir o alcance do proletariado ao pensamento revolucionário (no bom e verdadeiro sentido da palavra) a história demonstra que não é um joguete nas mãos dos donos do poder.

E o filme estadunidense Inside Job confirma tudo o que foi posto acima...


The Dark Side of the Rainbow

Uma das lendas urbanas que sempre me fascinaram foi a de que o Pink Floyd produziu seu famoso disco The Dark Side of the Moon inspirado e sincronizado com o clássico da MGM "O Mágico de Oz", de 1939, que tem a canção  "Over the Rainbow" cantada por Judy Garland considerada um clássico das canções no cinema e que a sincronização das duas obras leva o nome de The Dark Side of the Rainbow.


O Pink Floyd produziu em 1973 o seu álbum "Dark side of the Moon", onde a loucura, a tristeza, a guerra e tudo o que faz parte do lado escuro da alma humana é abordado de forma magistral. Então vejamos como fica a tal sincronização entre essas duas obras primas, tão distantes cronologicamente (1939 - 1973) mas tão próximas na filosofia...



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Melancolia - Tchaikovsky

Conta-se que Tchaikovsky compôs a sinfonia nº 6 quando estava em momento dos mais destruidores para a alma de um ser humano, quando estava desenganado, sofrendo com a implacável doença, com cólera. Não sei o quanto de verdade tem nessa história, tô com preguiça de ir pesquisar...

Enfim, a sinfonia Patética é uma das obras mais sublimes e impactantes que eu já ouvi no quesito dor, melancolia, sofrimento. Toca no fundo da alma, me desculpe (você que é meu único leitor!) o descarregar de clichês. Era a trilha sonora de meus muitos momentos de tristeza e solidão da adolescência e juventude...

De arrepiar... de ouvir chorando e chorar ouvindo!

sábado, 15 de outubro de 2011

Arqueologia

Leio no The New York Times que arqueólogos encontraram na Àfrica do Sul uma caverna com vestígios de que haveria ali uma "fábrica" de tintas que data de 100.000 anos, ou seja, do período que é chamado de Média Idade da Pedra (Middle Stone Age). Essa descoberta é de todo impactante porque antecipa em muito a data para o início da produção de tintas e pigmentos que teriam uma utilização ritual, religiosa antes de artística.

Acreditava-se que as primeiras manifestações desse tipo não deveriam ultrapassar 60.000 anos, sendo que a primeira caverna com pinturas da arte rupestre é datada em 40.000 anos. Dessa forma essa descoberta antecipa em muitos anos a capacidade do homo sapiens em executar raciocínios simbólicos, religiosos, ou seja, refletir e criar cultura. É o que diz o responsável pela pesquisa, Dr Christopher S. Henshilwood, da Universidade de Bergen (Noruega) e da Universidade de Witwatersrand (África do Sul).


Dessa forma, o conceito de civilização se mostra cada vez mais aprofundado na História o que coloca cada vez mais em discussão os próprios conceitos de História e Pré-história. Isso leva a uma derrubada cada vez mais profunda e necessária de certos mitos etnográficos e raciais que ainda teimam em existir e colocar certas etnias como o centro da raiz reflexiva e da cultura civilizada.


Veja a reportagem original no site do jornal The New York Times:


http://www.nytimes.com/2011/10/14/science/14paint.html?pagewanted=1&_r=2

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Deep Purple


Aí está a prova, Deep Purple é tricolor!!!!

Dá-le dáleô!

Sem comparações!

Pra curtir:

E o Deus, Clapton:

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

George Orwell



"O essencial da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas de produtos do trabalho humano. A guerra é um meio de despedaçar, ou de libertar na estratosfera, ou de afundar nas profundezas do mar materiais que de outra forma teriam de ser usados para tornar as massas demasiado confortáveis e, portanto, com o passar do  tempo, inteligentes"



The Blues Brothers

Quem não lembra do clássico da Sessão da Tarde, "Os Irmãos Cara-de-pau"? (Essas traduções de título sempre são tão "criativas"...)

Pois bem, a história dos irmãos músicos e sempre em dívida com a justiça, e por isso correndo da polícia, destruindo as viaturas na mesma velocidade em que arrebentam no palco marcou uma geração...

O meu primeiro contato com o Blues, o Soul e a cultura musical negra estadunidense se deu assistindo a esse clássico do diretor John Landis ( Um Lobisomem Americano em Londres ).  O ritmo ágil do filme impregnado com as melodias da Chicago negra, a crítica nem tão sutil ao racismo ("odeio nazistas de Illinois") e à cultura de massa ( os irmãos têm que reconstruir a banda pra arranjar grana pra evitar o fechamento do orfanato, mas têm dificuldades pra isso) me inspiraram a gostar da black music e me interessar pela luta dos negros estadunidenses.

O vídeo tá com defeito, a imagem tá invertida. Mas foi o que eu consegui pra homenagear minha infância, a infância de muita gente e a Blues Brothers fã club...

Qillapayun

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Oração da Paz

A bela oração de São Francisco, em uma interpretação da Maria Bethânia. Muito belo!

Em tempos que aparentemente a Igreja (ou a cúpula dela) se preocupa mais com manter fatias de poder, manter pensamentos algo como estagnados, é sempre bom manter as palavras do santo que proclamava a necessidade da solidariedade.

Eu ouvia quando pequeno muitas vezes, num LP do meu pai, uma bela canção composta pelo Pe Zezinho em homenagem ao Santo. Falava de um jovem que "deixou seu dinheiro, sua herança e os direitos que tinha" e que por isso mesmo "encontrou a Verdade, em seu rosto banhado de Luz"...

Aí vai minha reflexão para o dia 4 de Outubro, de Francisco...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ando só - O Exército de um homem só

Existe uma certa resistência aos Enghaw (como os fãs os chamam). Muito disso é por causa de uma certa megalomania disfarçada de coitadismo que por alguns momentos esteve por tras da carreira do Humberto Gessinger e da banda (na formação clássica com o excelente guitarrista Augusto Licks e o batera Carlos Maltz).

Mas eu quando jovem era fanático por eles. Engenheiros era quase uma religião pra mim. Se gostar deles era ser cafona, confesso aqui minha cafonisse. Mas os Engenheiros são importantíssimos e geniais naquilo que se propoem a ser, uma banda de rock-pop bastante sofisticada. Não são uma banda de rock'n roll. Não são "a maior banda dos últimos tempos da última semana"(Titãs). Não são a "banda mais bonita da cidade" (que é uma grata surpresa dessa época Facebook...). Mas apresentam canções com melodias certeiras (às vezes repetitivas, mas necessárias) e com letras elaboradas.

Humberto Gessinger começa a ser valorizado em POA como letrista e compositor. A formação GLM não existe mais e Enghaw também está desativado, agora o que existe é o Pouca Vogal, em parceria com o guitarrista Duca Leindecker, da  Cidadão Quem. Mas mesmo assim Gessinger foi homenageado em uma edição do Troféu Açorianos de Porto Alegre.

Espero que ainda possa ouvir a formação GLM voltar. Espero poder ver Gessinger e suas canções estudadas com maior atenção e sem preconceitos. Quem sabe se (re)descobre que Engenheiros do Hawaii não era apenas uma bandinha boba querendo ser grande...

Farroupilhas separatistas?

Nessa época do ano se multiplicam as manifestações e se aumenta a exploração da história para manter certas visões. De um lado aparecem os cínicos : "os gaúchos comemoram uma guerra que perderam...". De outro os ufanistas: "sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra". Mas a história não se faz ( ou não se deveria fazer...) no ufanismo, no misticismo e no cinismo. Para isso é necessário analizar as fontes relativas a Guerra dos Farrapos. Bons historiadores agem assim.

Revolução Farroupilha

Entre os que eu considero bons historiadores, recomendo a obra (fininha e importante) do Professor Luiz Roberto Lopez, A Revolução Farroupilha - a revisão dos mitos gaúchos. Na obra o autor contesta a utilização do termo "Revolução" pra nominar o movimento de 1835. Não foi revolução porque não houve mudança estrutural na sociedade da época. E não foi separatista.  Segundo Lopez,
"Um estudo sobre os dispositivos da Paz de Ponche Verde lança uma luz ao estudo sobre a natureza da luta travada (...). O tratado ofereceu condições razoáveis e até suaves aos perdedores - condições que não seria de imaginar aplicadas a rebeldes e que os historiadores tradicionais da Revolução Farroupilha justificam, argumentando que a bravura dos combatentes gaúchos forçou o Império a adotar a conciliação, ainda mais que o Rio Grande seria útil nas guerras platinas. Este segundo argumento é pertinente, mas a bravura, por si só, não serve como causa, já que as revoltas de Palmares, Cabanagem e Balaiada foram resolvidas à maneira de paz cartaginesa e também lá sobraram bravura, coragem e dedicação."
Aí é que a coisa fica evidente. Houve bravura quando os explorados se levantaram contra a classe exploradora e a resposta foi o massacre. Aqui a tal "Revolução" foi uma disputa por dentro de facções da mesma classe. Então a resposta foi muito mais branda, um tratado de paz que acatava algumas das principais reivindicações da grande parcela das lideranças farrapas. Lideranças essas que, diferente das lideranças da Cabanagem ou da Balaiada, tinham a mesma origem de classe das elites imperiais.

O Cabano - Pintura de Alfredo Norfini

E então, quando se consegue o atendimento a reivindicação de aumento do imposto sobre o charque platino, de repente os tais ideais separatistas e republicanos são colocados na sacola e os líderes farrapos voltam pras suas estâncias charqueadoras e defendem o império brasileiro nas lutas platinas, contra as nascentes repúblicas da Argentina e Uruguai...

Azevedo Dutra, Retrato do gen Netto

General Netto. Em 1836, "republicano", em 1866 faz guerra contra a República...

O próprio general Netto, que no 11 de setembro de 1836 havia proclamado a República de Piratini vai levar seu exército pessoal a lutar na Guerra do Paraguai contra a República paraguaia. Defendendo a bandeira do império brasileiro.

Ou seja, a história é uma senhora muito exigente e muito sábia. Deve ser respeitada, problematizada sim mas jamais idolatrada e distorcida. A guerra dos farrapos teve sim sua importância, não foi uma derrota se levarmos em consideração que a elite riograndense teve seus pleitos atendidos e também não levou nossas façanhas a servirem de modelo a toda a terra.


sábado, 17 de setembro de 2011

Bach - Paixão segundo Matheus e João

Johan Sebastian Bach foi um homem que revolucionou a música, gênio que produziu uma quantidade imensa de composições de alta qualidade técnica, principalmente as suas cantatas. Não se aventurou no campo das óperas, mas isso de forma alguma retira dele o seu lugar no Panteon dos mais significativos compositores da história.

Conta-se que foi  o compositor alemão do romantismo, Mendelssohn, quem redescobriu a Paixão segundo Matheus (Matheuspassion) apresentando a obra em 1829 em Berlim, sendo essa a primeira vez que a Paixão (em uma versão resumida) foi executada e ouvida fora de Leipzig.

Bach foi um importantíssimo criador de hinos luteranos (que hoje são reverenciados por admiradores da música erudita, independente de suas crenças religiosas ou ausência delas) e também compôs os belos oratórios "Paixão segundo São João" e "Paixão segundo São Matheus". Os solistas são muito exigidos nessas peças e os coros são igualmente bastante difíceis. As harmonias matemáticamente estudadas exigem das vozes muita sofisticação técnica e apurada compreensão dos temas que estão sendo executados. Texto e contexto devem ser complementares e integrados.

Acima coro da Paixão segundo Matheus, escrita provavelmente em 1727. Abaixo o lindíssimo Ruht wohl, ihr heilegen Gebeine seguida de Ach Herr, lass dein lieb Engelein que encerram a Paixão segundo São João, que foi composta muito provavelmente para as celebrações da sexta-feira santa do ano de 1724.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A Rapsódia do Estrangeiro

"Nothing realy matters..."

Outro dia uma amiga falava do quanto o livro O Estrangeiro, de Albert Camus havia lhe causado impacto. Pensei, a mim também. Mas eu tive ao ler na verdade um grande incômodo, aquela história do sujeito que de repente mata um árabe na Argélia me pareceu sempre tão elitista e etnocêntrica. Qual o sentido daquilo?

Claro, dirão, é a defesa da tese do absurdo, tão cara a Camus. A vida é absurda porque termina na morte, e não importa se daqui a algumas horas, meses ou anos, é sempre eu ou voce que iremos morrer. Isso incomoda e tal qual a famosa espada de Dâmocles, nos faz ou perder o interesse (ou o gosto) pelas coisas da vida ou nos faz viver de forma cínica, ou rejeitar a nossa finitude...

  
(Westall- A espada de Dâmocles - 1812 )

No livro de Camus, o protagonista Meursault inicia assim: "Hoje mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei. Recebi um telegrama do asilo: 'Mãe morta. Enterro amanhã. Sinceros sentimentos.' Isso não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem." Muitos se impressionam com a frieza dele, que não chorou a morte de sua mãe...

Então hoje, ouvindo Bohemian Rhapsody do Queen pude entender melhor Meursault. "eu não queria morrer agora, às vezes acho que não deveria nem ter nascido..."


"Nothing really matters...to me..."

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ira: Dias de Luta

Pra refletir, num dia propício pra isso. "Eu queria ouvir muito mas ele me disse pouco..."

Grande banda, grandes canções.

sábado, 27 de agosto de 2011

Santo Agostinho


"A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las".


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Você sempre soube...

Pois é, essa canção dos Engenheiros me fala muito sobre essa condição de estarmos sempre fazendo planos que não se concretizam, por um motivo ou outro... Nem sempre se sabe a forma certa de fazer as coisas e quando tudo parece fracassar ou ir por água abaixo a impressão é que nos outros estava a virtude. Aquilo que nos faltava...

"O inferno são os outros..." já dizia o filósofo. Mas esse existencialismo rastaquera que às vezes aparece em algumas canções nesse caso se reinventa e então temos o singelo refrão: "você sempre soube...eu não sabia".

"é como ficar esperando cartas que nunca vão chegar..."

E quanto tempo se fica esperando tais cartas. Mas elas não chegam mesmo, nós é que temos que fazer acontecer e isso quase sempre é dolorido prá caramba! E então fica como que uma súplica, um pedido de desculpas "eu não sabia". A quem se refere? A Deus? A uma garota? Aos ouvintes da canção?

"às vezes não entendo minha própria letra, minha própria caneta me trai" E como toda a tarde termina melancólicamente, aqui vai minha divagação temperada pela canção dos EngHaw...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pennsylvania 65000

A vida é tão inusitada e surpreendente...

Hoje recebi lembranças de um velho amigo, colega da banda marcial onde eu toquei por maravilhosos oito anos. Juntos fomos campeões juvenis de bandas e fanfarras e nesse concurso ouvimos a apresentação irretocável de uma grande banda que tocava: "Pennsylvânia six-five-Ô-Ô-Ô!"

Inspirados nessa magnífica apresentação, iniciamos um pequeno conjunto vocal de jazz-blues-folk chamado The Blues Five...

Pra recordar esses tempos, aí vai na interpretação do Glenn Miller, Pennsylvânia

Matar a saudade de nossos 18!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Brilhe seu diamante maluco!!!

 
 
"Remember when you were young,

You shone like the sun.

Shine on you crazy diamond.

Now there's a look in your eyes,

Like black holes in the sky.

Shine on you crazy diamond.

You were caught on the crossfire

Of childhood and stardom,

Blown on the steel breeze.

Come on you target for faraway laughter,

Come on you stranger, you legend,

You martyr, and shine!


You reached for the secret too soon,

You cried for the moon.

Shine on you crazy diamond.

Threatened by shadows at night,

And exposed to the light.

Shine on you crazy diamond.

Well you wore out your welcome

With random precision,

Rode on the steel breeze.

Come on you raver, you seer of visions,

Come on you painter, you piper,

You prisoner, and shine!


Nobody knows where you are,

How near or how far.

Shine on you crazy diamond.

Pile on many more layers and

I'll be joining you there.

Shine on you crazy diamond.

And we'll bask in the shadow

Of yesterday's triumph,

And sail on the steel breeze.

Come on you boy child,

You winner and loser,

Come on you miner for truth and delusion,

and shine!"

Chile em marcha pelo direito à educação de todos

(imagem capturada via Facebook- "Matanza De Santa Maria")
O direito à educação pública e gratuita mais uma vez é ameaçado...
Que a sabedoria dessa senhora nos sirva de exemplo!!!!


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Felicitaciones charruas!!!




Que se louve o renascimento do futebol uruguaio, da garra, do espírito coletivo e da técnica!

E que certos jogadores "técnicos" e "diferenciados" que dizem que só jogam com a bola no pé aprendam com Forlan que correr atrás não é vergonha...

domingo, 24 de julho de 2011

Avante Celeste!

Esse Blog é integrante da "hinchada" de Uruguay!

Sorte ao selecionado charrua e que se louve o renascimento do futebol uruguaio!!!

Bandeira do Uruguai

DALE-DALE-DALE!!!!!!!

sábado, 23 de julho de 2011

Música antiga





Descobri no Facebook esse vídeo de uma música de 3400 anos!

Me fascina a forma como as técnicas de execução musical e de composição se desenvolvem e como a raiz da antiguidade está presente nisso tudo. E me pergunto como foi que conseguiram ter acesso à essa música, já que quase não existia notação musical nessa época, tudo era transmitido de forma oral (os músicos tocavam de ouvido...).

Nikkal Hymn, Moon Song Tablet
Tablete com as "cifras" da melodia : o Hino a Nikkal

No Youtube a informação é que descobriram há mais de 50 anos os tabletes com as notações dessa melodia em Ugarit, onde hoje fica a Síria e antigamente era o norte de Canaan. De todos os 29 tabletes descobertos apenas um tinha se mantido preservado de forma a se ter a melodia e os intervalos.
A melodia é singela, não se tinha escalas músicais nessa época, era tudo feito com base nos modos (alguns dos modos gregos ainda hoje se utilizam, jônico, eólico e dórico) e o resultado é belíssimo.

Essa melodia foi composta na fase final da história da civilização Hurrita, que viveu no norte da Mesopotâmia durante a Idade do Bronze.  O instrumentista Michael Levy se utilizou de técnicas de execução como o trêmolo, os glissandos de forma como ele acredita serem as utilizadas pelos antigos tocadores desse instrumento, a lira antiga.

Para maiores informações sobre esse assunto, o site com as fotos dos tabletes Hurritas é esse:

http://phoenicia.org/music.html

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Cantata Santa Maria de Iquique

A Cantata Santa Maria de Iquique fala de um massacre ocorrido no Chile em 1907, quando mais de 3000 operários das minas de salitre foram chacinados após uma greve. Eles haviam se abrigado numa escola chamada Santa Maria, na cidade de Iquique, el puerto grande...

Aqui temos na versão do excelente grupo chileno Quilapayun

PARTE 1


PARTE 2



PARTE 3


PARTE 4

Certa vez tive a oportunidade de cantar essa peça. Fala muito sobre "la nuestra America", fala muito sobre a condição do povo trabalhador que infelizmente não mudou muito no que diz respeito à opressão e ao ataque a direitos fundamentais...


"Ustedes que ya escucharon
la historia que se contó
no sigan allí sentados
pensando que ya pasó.
No basta sólo el recuerdo,
el canto no bastará.
No basta sólo el lamento,
miremos la realidad.

Quizás mañana o pasado
o bien, en un tiempo más,
la historia que han escuchado
de nuevo sucederá."




quinta-feira, 14 de julho de 2011

Vivemos de paixão...

Numa tarde de chuva e frio invernal em Porto Alegre, um certo indivíduo de 36 anos ouve que a vida é uma balada...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pet Sematary

Mais uma dos Ramones (só pra não perder a oportunidade...)

Dia Mundial do Rock!

Segundo a Wikipedia, hoje (13/07) é o dia mundial do Rock. Tudo porque o Bob Geldof decidiu organizar o Live Aid, um festival pra arrecadar fundos pra luta contra a fome na África. Os shows aconteceram nessa data em 1985.

Pra celebrar a data, Ramones!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Creo en mis dioses

"Encuentro en Cajamarca" é uma canção de Victor Heredia que narra o episódio do encontro de dois mundos, entre Francisco Pizarro e o inca Atahualpa. Encontro esse que significou o genocídio dos indígenas para alimentar a exploração mercantilista dos espanhóis sobre a América, tudo isso legitimado pela religião "cristã". A mensagem de amor e solidariedade de Cristo fica apropriada pelos reis ditos cristãos que se apóiam nisso para subjugar os pagãos e se apoderarem de suas riquezas (como bravamente denunciado pelo frei Bartolomé de Las Casas).

Nesse vídeo aparece uma homenagem às civilizações e povos destruídos em nome da busca de riquezas das nascentes nações européias.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Para entender o que acontece na Grécia (e no mundo)

Documentário muito bom, realizado por jornalistas gregos analisando a forma como FMI, Banco Mundial, Banco Central Europeu e outras instituições a serviço do imperialismo criaram, através da política da "dívida" (débitocracia) o cenário para o contínuo ataque aos direitos dos povos, dos trabalhadores, da juventude e contra a soberania nacional. Destaque para a forma como o Equador conseguiu realizar uma auditoria da dívida e assim investir os recursos do petróleo em educação, saúde e no atendimento às reivindicações populares.

Bom vídeo!

El papel de Wall Street en el narcotráfico, negocio boyante

Mais um texto interessante que saiu no sítio Sin Permiso sobre a tal "guerra contra as drogas"...
El papel de Wall Street en el narcotráfico, negocio boyante
El papel de Wall Street en el narcotráfico, negocio boyante
Mike Whitney · · · · ·
18/06/11

Imaginen cuál sería su reacción si el gobierno mexicano conviniera en pagar 1.400 millones de dólares a Barak Obama por desplegar tropas norteamericanas y vehículos blindados en Nueva York, Los Ángeles y Chicago para llevar a cabo operaciones militares, establecer puestos de control y verse envuelto en tiroteos que acaben por causar la muerte de 35.000 civiles en las calles de ciudades norteamericanas.
Si el gobierno mexicano tratara así a los Estados Unidos, ¿lo considerarían ustedes amigo o enemigo?
Así es exactamente cómo tratan los EE. UU. a México, y así ha venido siendo desde 2006.
La política mexicana de Norteamérica --la Iniciativa de Mérida-- es una pesadilla. Ha minado la soberanía mexicana, ha corrompido el sistema político y ha militarizado el país. Ha tenido también como resultado la muerte violenta de miles de civiles, pobres en su mayoría. Pero a Washington le importan una higa los "daños colaterales" mientras pueda vender más armamento, fortalecer su régimen de libre comercio y lavar más beneficios de las drogas en sus grandes bancos.
Entonces es todo de lo más agradable.
¿No ha lugar a dignificar esta carnicería llamándola "Guerra contra las drogas"?
No tiene sentido. Lo que vemos es una oportunidad descomunal de hacerse con poder por parte de las grandes empresas, las altas finanzas y los servicios de inteligencia norteamericanos. Lo único que hace Obama es ocuparse de la subasta, razón por la cual --no es de sorprender-- las cosas se han puesto bastante peor bajo su administración. No sólo ha incrementado Obama la financiación del Plan México (también conocido como Mérida) sino que ha desplegado más agentes norteamericanos para que trabajen en secreto, mientras aviones no tripulados llevan a cabo labores de vigilancia. ¿Lo captan? No se trata de una pequeña redada antidroga, es otro capítulo de la Guerra Norteamericana contra la Civilización. He aquí un pasaje de un artículo de CounterPunch escrito por Laura Carlsen que nos muestra algo del trasfondo:
"La guerra contra las drogas se ha convertido en el vehículo principal de militarización de América Latina. Un vehículo financiado e impulsado por el gobierno norteamericano y alimentado por una combinación de falsa moral, hipocresía y mucho de temor duro y frío. La llamada ‘guerra contra las drogas’ constituye en realidad una guerra contra la gente, sobre todo contra los jóvenes, las mujeres, los pueblos indígenas y los disidentes. La guerra contra las drogas se ha convertido en la forma principal del Pentágono de ocupar y controlar países a expensas de sociedades enteras y de muchas, muchas vidas”.
“La militarización en nombre de la guerra contra las drogas está sucediendo más rápida y concienzudamente de lo que la mayoría de nosotros probablemente anticipó con la administración de Obama. El acuerdo para establecer bases en Colombia, posteriormente suspendido, mostró una de las señales de la estrategia. Y ya hemos visto la extensión indefinida de la Iniciativa de Mérida en México y América Central e incluso, tristemente, las cañoneras enviadas a Costa Rica, una nación con una historia de paz y sin ejército...”
“La Iniciativa de Mérida financia intereses norteamericanos para entrenar a fuerzas de seguridad, proporciona inteligencia y tecnología bélica, aconseja sobre las reformas de la justicia y el sistema penal y la promoción de los derechos humanos, todo ello en México”. ("The Drug War Can't Be Improved, It Can Only be Ended" [“No se puede mejorar la guerra contra las drogas, sólo se puede concluir"] Laura Carlsen,Counterpunch).
Si da la impresión de que Obama está haciendo todo lo que puede para convertir México en una dictadura militar, es porque es lo que está haciendo. El Plan México es una farsa que esconde los verdaderos motivos de la administración, que consiste en asegurarse de que los beneficios del tráfico de drogas acaben en los bolsillos de la gente adecuada. De eso es de lo que se trata, de muchísimo dinero. Y por eso es por lo que se ha disparado el número de víctimas, mientras la credibilidad del gobierno mexicano ha caído como nunca en décadas. la política norteamericana ha convertido grandes extensiones del país en campos de muerte y la cosa no hace más que empeorar.
Véase esta entrevista con Charles Bowden, que describe cómo es la vida de la gente que vive en la Zona Cero de la guerra de las drogas en México, Ciudad Juárez:
"Esto sucede en una ciudad en la que en ocasiones la gente vive en cajas de cartón. En el último año han cerrado diez mil negocios, tirando la toalla. De treinta a sesenta mil personas, sobre todo los ricos, se han mudado a El Paso, al otro lado del río, por razones de seguridad, entre ellos el alcalde de Juárez, que prefiere largarse a dormir en El Paso. El editor del diario local también vive en El Paso. Entre 100.000 y 400.000 personas sencillamente se marcharon de la ciudad. Buena parte del problema es económico, y no simplemente de violencia. Durante esta recesión han desaparecido por lo menos 100.000 empleos de las empresas fronterizas debido a la competencia asiática. Las estimaciones cifran las bandas de delincuentes entre 500 y 900".
“De modo que lo que tenemos son 10.000 soldados de las tropas federales y agentes de la policía federal merodeando por allí. Una ciudad en la que nadie sale de noche, en la que los pequeños negocios pagan todos extorsión, donde oficialmente se robaron 20.000 coches el año pasado, en el que oficialmente fueron asesinadas más de 2.600 personas el pasado año, donde nadie sigue el rastro de la gente que ha sido secuestrada y no regresa, en donde nadie cuenta la gente enterrada en cementerios secretos de los que, de forma indecorosa, parecen de cuando en cuando salir algunos escarbando. Lo que tenemos es un desastre y un millón de personas, demasiado pobres para poder marcharse, atrapadas en él. La ciudad es eso".
(Charles Bowden, Democracy Now)
Esto no tiene que ver con las drogas; se trata de una política exterior chiflada que apoya a ejércitos por delegación para imponer el orden por medio de la represión y militarización del Estado policial. Se trata de expandir el poder norteamericano y de que engorden los beneficios de Wall Street.
Veamos más datos de fondo proporcionados por Lawrence M. Vance en la Future of Freedom Foundation:
"Un número no revelado de agentes de la ley norteamericanos trabajan en México (...) La DEA tiene más de 60 agentes en México. A ellos se suman 40 agentes de Inmigración y Aduanas, 20 ayudantes del Servicio de Comisarios de Policía y 18 Agentes de Alcohol, Tabaco, Armas de Fuego y Explosivos, más agentes del FBI, del Servicio de Ciudadanos e Inmigración, Aduanas y Protección de Fronteras, Servicio Secreto, Guardacostas y Agencia de Seguridad en el Transporte. El Departamento de Estado mantiene también una Sección de Asuntos de Narcóticos. Los Estados Unidos también han suministrado helicópteros, perros antidroga y unidades de polígrafos para examinar a quienes solicitan ingresar en organismos de aplicación de las leyes".
“Los aviones no tripulados norteamericanos espían los escondites de los cárteles y las balizas rastreadoras norteamericanas ubican con exactitud los coches y teléfonos de los sospechosos. Agentes norteamericanos siguen los rastros, localizan llamadas telefónicas, leen correos electrónicos, estudian patrones de comportamiento, siguen rutas de contrabando y procesan datos sobre traficantes de droga, responsables del lavado de dinero y jefes de los cárteles. De acuerdo con un antiguo fiscal antidroga mexicano, los agentes norteamericanos no están limitados en sus escuchas en México por las leyes norteamericanas, mientras no se encuentren en territorio norteamericano y no pinchen a ciudadanos norteamericanos. ("Why Is the U.S. Fighting Mexico's Drug War?" [ “¿Por qué libran los Estados Unidos la Guerra contra las drogas de México?”] Laurence M. Vance, The Future of Freedom Foundation)
Esto no es política exterior; es otra ocupación norteamericana. ¿Y adivinan quién hace caja a lo grande con este pequeño timo sórdido? Wall Street. Eso es: los grandes bancos le sacan un pico como hacen siempre. Echemos un vistazo a este pasaje de un artículo de James Petras títulado "How Drug Profits saved Capitalism" [“Cómo los beneficios de las drogas salvaron al capitalismo”] en Global Research. Es un estupendo resumen de los objetivos que están configurando esa política:
"Mientras el Pentágono arma al gobierno mexicano y la DEA (Drug Enforcement Agency, la agencia antidroga) norteamericana ponen en práctica la ‘solución militar’, los mayores bancos de los EE.UU. reciben, lavan y transfieren cientos de miles de millones de dólares a las cuentas de los señores de la droga, que compran así armas modernas, pagan ejércitos privados de asesinos y corrompen a un número indeterminado de funcionarios encargados de hacer cumplir las leyes a ambos lados de la frontera..."
“Los beneficios de la droga, en el sentido más básico, se aseguran mediante la capacidad de los cárteles de lavar y transferir miles de millones de dólares al sistema bancario norteamericano. La escala y envergadura de la alianza entre la banca norteamericana y los cárteles de la droga sobrepasa cualquier otra actividad del sistema de la banca privada norteamericana. De acuerdo con los registros del Departamento de Justicia norteamericano, un banco sólo, el Wachovia Bank (propiedad hoy de Wells Fargo), lavó 378.300 millones de dólares entre el 1 de mayo de 2004 y el 31 de mayo de 2007 (The Guardian, 11 de mayo de 2011). Todos los bancos principales de los EE. UU. han hecho de socios financieros activos de los cárteles asesinos de la droga.
“Si los principales bancos norteamericanos son los instrumentos financieros que permiten operar a los imperios multimillonarios de la droga, la Casa Blanca, el Congreso norteamericanos y los organismos de aplicación de las leyes son los protectores esenciales de estos bancos (…) El lavado de dinero de la droga es una de las fuente más lucrativas de beneficios para Wall Street, los bancos cargan abultadas comisiones por transferencias de beneficios de la droga, que a su vez prestan a instituciones crediticias a tasas de interés muy superiores a las que pagan - si es que pagan- a los depositantes de los traficantes de drogas. Inundados por los beneficios de las drogas ya desinfectados, estos titanes norteamericanos de las finanzas mundiales pueden comprar fácilmente a los funcionarios electos para que perpetúen el sistema. ("How Drug Profits saved Capitalism", James Petras, Global Research)
Repitámoslo: "Todos los bancos principales de los EE. UU. han hecho de socios financieros activos de los cárteles asesinos de la droga..."
La Guerra contra las Drogas es un fraude. Esto no tiene que ver con la prohibición, tiene que ver con el control. Washington pone la fuerza para que los bancos puedan llevarse una buena pieza. Una mano lava a la otra, igual que con la Mafia.
Mike Whitney es un analista político independiente que vive en el estado de Washington y colabora regularmente con la revista norteamericana CounterPunch.


Traducción para www.sinpermiso.info de Lucas Antón